sábado, 25 de outubro de 2014

Parada no tempo

TW: Estupro

Corre, corre, corre...
- Onde você vai? - perguntou um homem com um sobretudo e um chapéu para uma menina que corria desesperada por um caminho tortuoso.
- Não sei
- Não sabe??? - homem fez uma cara de espanto - mas porque alguém correria sem saber pra onde?
- Me exigem isso, dizem que eu sou muito devagar, então eu tenho que correr, correr... O mundo é rápido e fica cada vez mais
- está levando pelo menos a identidade e os sonhos?
- Estava, mas eu corri tanto que caiu pelo o caminho
- e onde você os colocou?
- No bolso da calça jeans.
- NO BOLSO DA CALÇA?? Ninguém coloca nada no bolso da calça... Esses lugares só servem para as coisas cairem --'
- Hum... É mesmo.
- E você não lembra de nenhum dos seus sonhos?
- Até que lembro, mas não vejo importância agora.
O homem deu um sorrisinho e falou - E eu só vejo restos de você...
- Ah é? E eu só vejo... Espera, quem é você?
O homem abriu um sorriso...
- Não sei, menina, parece que você nunca aprende! Sempre tem que botar disfarces em mim...
A menina esfregou os olhos
- eu sou a desilusão, não me reconhece? Sempre tento te avisar, sempre, mas você nunca aprende...
Com uma expressão sádica no rosto, o homem, então, pegou a menina pelos os cabelos e jogou no chão. Abriu as pernas da garota violentamente, e abriu o zíper da calça. Ela tentava lutar contra, esperneava, chutava, mas não adiantava, a desilusão era forte demais...
O homem velho estuprou a menina até atingir a sua alma e o seu corpinho ficar cansado.
- REAJE!! Ele batia nela, chutava, socava o estômago, mas ela não esboçava reação, só olhava para um ponto fixamente.
Ele acabara com os restos dos sonhos e da identidade que haviam dentro dela.
- Agora somos íntimos. - Ele saiu rindo da menina sem reação.

Entretanto, apesar da desilusão ter passado, os restos dele que sobraram dentro da menina ainda corroiam a sua alma, fazendo com que ela ficasse parada no caminho do tempo.


Ela corria.

Íntimas


Dor Dor Dor Dor      Dor                             Dor Dor Dor
Dor Dor Dor Dor      Dor                            Dor  Dor  Dor
Dor                           Dor                           Dor            Dor  
Dor Dor                    Dor                         Dor               Dor
Dor Dor                    Dor                        Dor  Dor  Dor  Dor
Dor                           Dor                      Dor   Dor    Dor  Dor
Dor Dor Dor Dor      Dor Dor Dor       Dor                        Dor
Dor Dor Dor Dor      Dor Dor Dor      Dor                          Dor


"Somos íntimas agora"

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A história de um amor que não existiu

Música
Voz
Encanto
Esperança

Medo
Nervos
Abraços
Convite

Taquicardia
Felicidade
Taquicardia
Nervos

Ansiedade
Taquicardia
Expectativa
Medo

Perda
Encontro
Abraço
Sorriso

Felicidade
Paisagem
Simplicidade
Histórias
Risos
Lembranças
Bolo
Presentes
Gentilezas

Violão
Tarde
Voz
Canto
Sorriso
Olhar
Encanto
Aplausos incontidos

Violão
Voz
Sorriso dela
Olhares
Timidez
Meu olhar
Sorrisos

Cores
Tarde
Abraço
Felicidade

Realidade
Problemas
Sem resposta
Preocupação
Sem resposta
Brigas familiares
Tristeza
Sem resposta
Culpa
Sem resposta

Vazio.
  Shelle

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Atrás das grades

Atrás das grades.

Atrás daquele sorriso,
Há um pesar
Atrás daquele amor
Havia uma insegurança
Atrás daqueles portões de ferro
Havia uma vontade
Uma curiosidade
Como era a vida?
Era só aquilo?
Ou tinha algo por trás?
Porque aquelas pessoas eram assim?
Porque ela não era assim?
Detrás das grades
Ela observava a vida passar,
Crescia com medo de envelhecer.
Crescia, sem amadurecer.
Não vivia, mas tentava ver.

  Shelle


Homem de bem

Ele brincava comigo
Quando ele aparecia
Ele matava os assassinos
Homens maus
Ele é tão bom.
A sociedade não podia ter isso.
Homens ruins.
Não.
Ele matava quem era mau.
Ele não tinha tempo.
Tinha um dever a cumprir.
Era tão ocupado.
Era tão bom
Eu não podia sair.
Ele não deixava
Ele tinha que limpar o mundo.
Eu entendia.
O tempo passava.
Ele era tão bom.
Ele não me escutava
Não me entendia
Não se importava.
Era perigoso sair.
Ele tinha que matar os assassinos.
Tinha que manter o respeito.
Era autoridade.
Matar ou morrer.
Beber
Me prendia
As armas
Os tiros
A morte
Ele adorava
Ele estava acima.
Essa era a graça
Ele estava acima.
Tinha que matar os assassinos.
O abandono.
A falta de visão dele.
Ele era tão bom,
E eu me tornei tão...
Tão... irônica.


  Shelle

Real/Sentimental

E se eu aparecesse de novo?
E se eu falasse da minha saudade?
Você sumiu...
E eu também
Será que iria ficar tudo bem outra vez?
Talvez...
Sinto falta
Será?
Será que você ainda lembra de algo?
Aquilo que morreu...
Junto com uma parte minha...
Apodreceu
Afinal, tudo apodrece com o tempo
E não volta mais...
Só nos resta aceitar
A perda daquilo que eu não sei se algum dia existiu...
Eu ainda sinto.
Como alguém que perde um membro e ainda sente,
Mesmo não estando mais lá...
Afinal,
O que é o real?
De repente, o silêncio reinou.
Tudo escureceu.


  Shelle.