domingo, 31 de maio de 2015

Mente




Te amo,
estranhamente
Te chamo,
constantemente,
te quero,
em minha mente,
Te espero
Daqui pra frente
Nós vamos
Simplesmente
ser nós.

A boca não fala
A boca não cala

Também não mente.

Shelle

domingo, 3 de maio de 2015

A moça com brinco de pérola

A moça com brinco de pérola - Johannes Veemer

Olhem para os olhos...
O que você vê?
Eu vejo medo, intimidade... 
Como se ela soubesse o que iria acontecer
Como se ela estivesse te chamando.

Em uma época em que não era muito comum criados serem retratados (meados do séc XVII)...
Era mais comum retratar monarcas.
(dizem que até a Monalisa foi inspirada em uma rainha).
Ou pinturas religiosas
O que ele fazia retratando uma?
Não é um retrato comum... 
É muito expressivo pra isso
O que uma criada faz com um brinco de pérola?

Não esqueçam dos olhos...
Nem da boca...
Não esqueçam os olhos...
Nem da vestimenta e do brinco.
Nem dos olhos.

Poderia ficar olhando pra ele o dia todo...

Cultura de quem? Cultura pra quem?

 
    Quer um conselho? Se você não tinha muitos amigos na escola, ou não era enturmado em nada, e sua mãe ficar falando que na faculdade tudo vai melhorar, que você vai arranjar amigos... Esqueça!!
Não mantenha expectativas quanto a isso... Não faça isso consigo mesmo rs'
Expectativas atrapalham 90% das vezes quando nós queremos algo e foi assim comigo.
   
    Meu imaginário dizia pouco antes de entrar lá: um pequeno passo para mim, um grande passo para a minha história. (fiquei bem nervosa no primeiro dia, quase vomitei minhas tripas fora).
Bem, não foi mentira, a história encanta, liberta, e ainda considero um grande passo pra mim, mas não necessariamente os estudantes fazem isso com você. rs' Não é falando mal deles, looooonge de mim rs', mas é complicado, porque como é uma ciência humana, lida muito com mentalidades, visões de mundo que podem ser completamente opostas!

    Na história nós aprendemos que não existem verdades absolutas, ao passo que também aprendemos a defender melhor nosso ponto de vista, seja ele qual for, de esquerda, direita, feminista, machista, no meio rs'... Então, como normalmente acontece, pessoas que tem uma visão de mundo parecida ficam perto uma das outras. Quer dizer que eles vão te excluir? Não necessariamente... Ainda estou no começo do meu curso, e acreditem, as relações pessoais não se distinguem muito das da escola, pelo menos na sala onde eu estudo. Teoricamente, como somos universitários, temos mais liberdade. Teoricamente. Também não ache que isso irá acontecer instantaneamente com você. Se visa mesmo ter uma liberdade a mais na faculdade. Lute por ela antes dos 18 ou antes de entrar. Isso se sua mãe for muito super-protetora, ou como eu chamo: mãe-que-não-quer-que-o-filho-conheça-o mundo-e-fique-sempre-dependente-dela-por-insegurança-dela-ou-pra-ela-se-sentir-melhor. É realmente muito complicado uma mãe ou um responsável assim, principalmente se o seu curso requer uma certa vivência. A experiência também é importante pra se entender o social.

   Isso me lembra quando eu conheci um garoto que queria "limpar o mundo" e fazer justiça sendo policial. Ele era revoltado e usava da intimidação para salientar seus argumentos não muito bons. Tudo girava em torno de uma hipocrisia social exagerada na visão dele. Ele colocava a culpa de todo mal do mundo na sociedade hipócrita brasileira e geral RAAAAWRRRRRR!! Rs' E o que é a sociedade? O que me chamou muita atenção no discurso é que ele usava a sociedade como algo distante, como se ele mesmo não fizesse parte dela. O que é a sociedade senão nós mesmos? Nós fazemos parte dela e ela nós influencia. Claro que podemos não adquirir tudo pra nós, mas e o nosso meio? Não nos influencia também? E o que nós assistimos? E o que nós lemos? Não faz parte de uma sociedade? Não faz parte de um tempo? Nós somos o que lemos, assistimos, ouvimos... Será? Onde está nossa individualidade?  Pode está também em nossas escolhas... Quando escolhemos rejeitar, ou não, o senso comum, mas se nós escolhemos rejeitar completamente (se é que isso é possível) será que não vamos ser rejeitados também?

  A história também trabalha com diversas outras ciências como a antropologia, sociologia, filosofia, arqueologia e até química para analisar o carbono 14 em alguns documentos no intuito de saber a data em foram escritos. Com isso, trabalhamos com diversos conceitos e um dos que mais me chamou atenção, além do conceito de história, foi o de cultura. Afinal, o que é cultura? O que nos faz ficar perto de alguém que tem a mesma visão de mundo que a nossa (ou uma visão melhor de mundo) e ficar mais afastado de quem não tem? Bem, essa distinção não é recente. Muitos pensadores, antropólogos tiveram esse pensamento a long time ago. Uma peculiaridade curiosa da antropologia é que ela desenvolve todo um pensamento eurocêntrico pra depois ir contra ele. Como a Rachel de Queiroz que ajuda a fundar o partido comunista no Ceará e depois apoia a Ditadura Militar, e então se arrepende depois de um tempo de ter apoiado. (nunca mais esqueci isso da Rachel).

  A antropologia juntamente com algumas correntes de pensamento, baseados no evolucionismo de Darwin considerou os europeus, no final do estágio evolucionário, e os índios, selvagens, no estágio primeiro da evolução. Não considerar o diferente, exclui-lo, domina-lo, impor a minha cultura. Esse também era o pensamento dos portugueses e espanhóis ao chegar aqui na América. Estranhamento. Povos que andam nus? Que adoram a chuva e o trovão como Deuses? Pai, eles precisam de salvação! Rs'
Atualmente, a antropologia relativiza:
De fato, quando um antropólogo social fala em "cultura", ele usa a palavra como um conceito chave para a interpretação da vida social. Porque para nós ''cultura" não é simplesmente um referente que marca uma hierarquia de "civilização" mas a maneira de viver total de um grupo, sociedade, país ou pessoa. Cultura é, em Antropologia Social e Sociologia, um mapa, um receituário, um código através do qual as pessoas de um dado grupo pensam, classificam, estudam e modificam o mundo e a si mesmas. É justamente porque compartilham de parcelas importantes deste código ( a cultura) que um conjunto de indivíduos com interesses e capacidades distintas e até mesmo opostas, transformam-se num grupo e podem viver juntos sentindo-se parte de uma mesma totalidade. Podem, assim, desenvolver relações entre si porque a cultura lhes forneceu normas que dizem respeito aos modos, mais (ou menos) apropriados de comportamento diante de certas situações. Por outro lado, a cultura não é um código que se escolhe simplesmente. É algo que está dentro e fora de cada um de nós, como as regras de um jogo de futebol, que permitem o entendimento do jogo e, também, a ação de cada jogador, juiz, bandeirinha e torcida. Quer dizer, as regras que formam a cultura (ou a cultura como regra) é algo que permite relacionar indivíduos entre si e o próprio grupo com o ambiente onde vivem. Em geral, pensamos a cultura como algo individual que as pessoas inventam, modificam e acrescentam na medida de sua criatividade e poder. Daí falarmos que Fulano é mais culto que Sicrano e distinguirmos formas de "cultura" supostamente mais avançadas ou preferidas que outras. Falamos então em "alta cultura'' e "baixa cultura" ou “cultura popular", preferindo naturalmente as formas sofisticadas que se confundem com a própria idéia de cultura. Assim, teríamos a cultura e culturas particulares e adjetivadas.(popular, indígena, nordestina, de classe baixa, etc.) como formas secundárias, incompletas e inferiores de vida social. Mas a verdade é que todas as formas culturais ou todas as "sub-culturas” de uma sociedade são equivalentes e, em geral, aprofundam algum aspecto importante que não pode ser esgotado completamente por uma outra "sub-cultura". Quer dizer, existem gêneros de cultura que são equivalentes a diferentes modos de sentir, celebrar, pensar e atuar sobre o mundo e esses gêneros podem estar associados a certos segmentos sociais. 0 problema é que sempre que nos aproximamos de alguma forma de comportamento e de pensamento diferente, tendemos a classificar a diferença hierarquicamente, que é uma: forma de exclui-la. Um outro modo de perceber e enfrentar a diferença cultural é tomar a diferença como um desvio, deixando de buscar seu papel numa totalidade.        
 DAMATTA, Roberto 


Roberto Damattaa, antropólogo.

   Quer dizer, acima de tudo isso existe uma cultura maior que também dita o que é natural, o que é normal, (no nosso caso, é a brasileira). E existe também as sub-culturas, nossos grupos, nossas tribos, gêneros, dentro da brasileira. Por exemplo, posições políticas, regiões do brasil (cada uma tem uma cultura diferente e etc...).  Até o pensamento do garoto que conheci de que ser policial iria dar vazão para ele "limpar o mundo", a visão do policial herói também faz parte de uma sub-cultura. E de você também ficar mais perto das pessoas que pensam igual a você ou que tem o mesmo nível intelectual. Aliás, nós... Por isso que a história pode ser tão delicada as vezes, pela diferença de pensamento de cada um de nós. A diferença, podemos dizer, cultural? As ideologias que absorvemos: machismo, feminismo, socialismo, governismo... Por vezes, inferiorizamos aquilo que é diferente, estranho quando não sabemos relativizar. Então, a parte antropológica da história é de suma importância e a história em si, que aguça nosso lado crítico, nossa percepção... Tudo depende de como você a usa e do quanto você estuda. Tudo é história.