terça-feira, 30 de setembro de 2014

Atrás das grades

Atrás das grades.

Atrás daquele sorriso,
Há um pesar
Atrás daquele amor
Havia uma insegurança
Atrás daqueles portões de ferro
Havia uma vontade
Uma curiosidade
Como era a vida?
Era só aquilo?
Ou tinha algo por trás?
Porque aquelas pessoas eram assim?
Porque ela não era assim?
Detrás das grades
Ela observava a vida passar,
Crescia com medo de envelhecer.
Crescia, sem amadurecer.
Não vivia, mas tentava ver.

  Shelle


Homem de bem

Ele brincava comigo
Quando ele aparecia
Ele matava os assassinos
Homens maus
Ele é tão bom.
A sociedade não podia ter isso.
Homens ruins.
Não.
Ele matava quem era mau.
Ele não tinha tempo.
Tinha um dever a cumprir.
Era tão ocupado.
Era tão bom
Eu não podia sair.
Ele não deixava
Ele tinha que limpar o mundo.
Eu entendia.
O tempo passava.
Ele era tão bom.
Ele não me escutava
Não me entendia
Não se importava.
Era perigoso sair.
Ele tinha que matar os assassinos.
Tinha que manter o respeito.
Era autoridade.
Matar ou morrer.
Beber
Me prendia
As armas
Os tiros
A morte
Ele adorava
Ele estava acima.
Essa era a graça
Ele estava acima.
Tinha que matar os assassinos.
O abandono.
A falta de visão dele.
Ele era tão bom,
E eu me tornei tão...
Tão... irônica.


  Shelle

Real/Sentimental

E se eu aparecesse de novo?
E se eu falasse da minha saudade?
Você sumiu...
E eu também
Será que iria ficar tudo bem outra vez?
Talvez...
Sinto falta
Será?
Será que você ainda lembra de algo?
Aquilo que morreu...
Junto com uma parte minha...
Apodreceu
Afinal, tudo apodrece com o tempo
E não volta mais...
Só nos resta aceitar
A perda daquilo que eu não sei se algum dia existiu...
Eu ainda sinto.
Como alguém que perde um membro e ainda sente,
Mesmo não estando mais lá...
Afinal,
O que é o real?
De repente, o silêncio reinou.
Tudo escureceu.


  Shelle.