Faz um tempo que
não escrevo aqui. Tem acontecido tanta coisa! Quantas disciplinas meu Deus!
Quanta briga de ego entre os alunos!
Certo dia, fui
visitar uma amiga que estava fazendo aniversário. Dormi na casa dela e um dia
depois, em uma tarde, ela ficou rememorando o seu passado. Logo lembrei do meu,
das coisas boas que não vão voltar, da minha infância com gosto de doce de leite,
dos meus amigos que não retornaram, dos entes queridos que se foram, da solidão
atual... De repente, ficou tudo obscuro. A vida pode ser tão triste! Não gosto
de lembrar meu passado. Dói! Eu, por vezes fujo dele. Será que tenho medo do
meu passado? Ai você se pergunta: como uma estudante de História pode ter medo
do próprio passado? E o objeto de estudo?
É, o passado é algo muito delicado
de se tratar, principalmente se for o nosso. Uma vez, eu vi, em uma revista,
que as imagens demoram alguns milésimos de segundos para chegar ao nosso
cérebro e serem identificadas. Então tudo que nós olhamos de certa forma é
passado. Ter medo do passado consiste, de alguma forma, também em ter medo de
enxergar ou ter entendimento de algo.
Em um artigo sobre a formação do IHGB
(Instituto Histórico Geográfico Brasileiro), - Nação e Civilização nos Trópicos, Manoel Luís Salgado Guimarães - dissertou-se curiosamente sobre a
ligação da história com os contos de terror, o pessimismo do século XIX, não
aprofundando tanto o assunto. A História veio para salvar. Para iluminar o
obscuro, o breu, as histórias fantasmagóricas que surgiam desde então. A
História visava o progresso! O futuro será bem melhor do que o agora que é bem
melhor do que passado. Evolução, meus amigos! Perceberam? O passado, seguindo
essa lógica, está nos primórdios do desenvolvido. A história vinha para
trazer-nos a verdade sobre o que se passou. Para separar o verdadeiro, do mito,
do religioso ou fantasmagórico.
Entretanto, nossa visão sobre o que
se passou muda constantemente. Tanto nossa visão, quanto os questionamentos.
Nós olhamos o passado com os olhos do presente. Vocês nunca mudaram sua visão
sobre a sua infância, por exemplo? Ou sobre aquele romance lindo que agora se
desfez? Sobre seu primeiro relacionamento ou sobre a postura que seus pais
tomaram em determinada época da sua vida? Ou sobre seus próprios pais?
Quando estamos mal em determinado
ponto de nossa vida, nos perguntamos: “onde será que eu errei?” Então vamos
relembrar tudo para saber ou sabemos exatamente onde foi e ficamos “porque eu
não fiz aquilo? E se eu não tivesse feito isso? Estaria tudo melhor agora…” A
resposta é: não sabemos se tudo teria sido realmente melhor se você tivesse
tomado posturas diferentes ou se outras pessoas tivessem tomado. Talvez nós
nunca saberemos! O erro não está no passado, e sim, no presente. Se errássemos
no passado e, por ironia do destino, nosso presente estivesse ótimo, não
estaríamos tentando mudar o que já passou ou lamentando o que já foi feito.
